O AUTO-CONCEITO E A MOTIVAÇÃO NO 3.º CICLO DO ENSINO BÁSICO The Self-Concept and Motivation in 3rd Basic Education

Cátia Marques Fonseca, Sónia Maria Gomes Alexandre Galinha

Resumo


Introdução

Este estudo insere-se no âmbito da investigação educacional e com os dados preliminares desta investigação, pretende-se contribuir para uma melhor compreensão do autoconceito e da motivação dos alunos em contexto de sala de aula relativamente à área curricular da física e da química ao nível do 3º ciclo de escolaridade.

Perrenoud, Estrela e Estrela (1995) no seu livro Ofício de Aluno e Sentido do Trabalho Escolar, alertam para a falta de sentido do trabalho escolar. Segundo os autores uma fração dos alunos faz da necessidade virtude e realiza, sem dificuldade, o seu percurso escolar; outros resistem abertamente e desencadeiam a fúria dos que lhe querem bem; outros, ainda, conduzem-se a fenómenos cada vez mais presentes na realidade portuguesa como absentismo, abandono escolar e a indisciplina/violência. Podemos afirmar, de forma consensual, que erradicar estes fenómenos é utópico, mas a clarificação das suas causas pode contribuir para uma redução significativa e desejável segundo a literatura revisitada. Shavelson, Hubner e Stanton (1976), atribuem ao autoconceito um potencial de prognóstico dos comportamentos, igualmente referenciado por autores como Simões e Vaz Serra (1987) e Simões (1997) que reconhecem a influência do autoconceito no desempenho, bem como no autocontrolo pessoal, na coordenação de atitudes e comportamentos, surgindo, assim, como uma forma de quantificar variáveis como autocontrolo, a ansiedade e as expectativas dos sujeitos (Barros & Barros, 1999; Simões & Vaz Serra, 1987).

A consciencialização da relevância e interligação da motivação com o sucesso escolar (Castañeiras, Guzmán, Posada, Ricchini, & Strucchi, 1999; Zenorini & Santos, 2010, Imaginário et al., 2014) com a indisciplina e com o autoconceito tem conduzido a inúmeros estudos (Fonseca, Galinha & Loureiro, 2017) com o objetivo de descobrir como envolver os alunos nas tarefas escolares de forma voluntária e consciente das suas potencialidades e importância para o seu futuro.

Considerando que as perceções pessoais conduzem a um comportamento motivado e, consequentemente, objetivos (Cabanach, Arias, Pérez & González-Pienda, 1996), é relevante estudar a motivação e a sua interligação com o autoconceito dos alunos.

 

Metodologia

Objetivos Gerais da Investigação

1.Avaliar os valores de autoconceito dos alunos inquiridos através de uma escala de autoconceito.

2.Avaliar os valores motivacionais dos alunos inquiridos através de uma escala de motivação.

Amostra

Amostragem de conveniência. Anonimato. Confidencialidade. N=86 alunos do 3ºciclo de escolaridade, com idades compreendidas entre os 12 e 16 anos. Com uma distribuição de género de 48,8% feminino e 51,2% masculino.

Instrumentos

Os dados necessários a este estudo são recolhidos através da análise das respostas à Escala Self-description Questionnaire 1 – SDQ1 (adaptação para a população portuguesa; do Marsh: avaliação do conceito de si próprio do adolescente; Faria & Fontaine (1990) e ao Questionário de Motivação Escolar (QME) (Cordeiro, 2010), instrumento multidimensional, que avalia simultaneamente diferentes fatores dos processos motivacionais, e considera que quando o valor obtido para cada fator for superior à média possível de obter, esse fator é relevante para o sujeito.

Locus de Pesquisa e Procedimentos

Adesão voluntária dos alunos. A aplicação dos instrumentos decorreu coletivamente em contexto escolar no 3º ciclo do ensino básico com autorização superior. Os questionários foram aplicados pelo investigador e por um professor da turma, em sala de aula, em estabelecimentos de ensino público do norte e centro de Portugal

Resultados

Estudos Preliminares em contexto Escolar

Os valores da média e desvio padrão, respetivamente, obtidos para as subescalas do instrumento SDQ1 são: Autoconceito Matemático de 24,34 e 8,949; Competência Física 28,41 e 6,427; Global Escolar 25,5 e 6,352; Autoconceito Verbal 27,79 e 7,463; Aparência Física 28,53 e 6,638; Social Pais 31,41 e 4,751; Social Pares 29,60 e 4,904 e Autoconceito Global 33,55 e 5,414. Em relação ao objetivo 1, com a aplicação da Escala Self-description Questionnaire  – SDQ1 (adaptação para a população portuguesa de Marsh: avaliação do conceito de si próprio do adolescente (Faria & Fontaine, 1990), os dados permitem observar uma adequada dispersão dos mesmos conforme as estatísticas descritivas

Relativamente ao instrumento QME os valores apurados são: Estratégias 75,93 e 22,304; Objetivos Extrínsecos do Professor 41,17 e 8,958; Objetivos Extrínsecos do Aluno, com Regulação Externa 33,23 e 9,145; Objetivos Intrínsecos do Professor 32,49 e 8,601; Objetivos Extrínsecos do Aluno, com Regulação Interna 23,84 e 7,089; Objetivos Intrínsecos do Aluno 17,74 e 5,018.

Em relação ao objetivo 2, com a aplicação do Questionário de Motivação Escolar (QME) (Cordeiro, 2010), os resultados obtidos nesta investigação também permitem observar uma adequada dispersão dos mesmos:

Considerações finais e conclusões

Observa-se uma adequada dispersão relativamente a SDQ1 e QME nos fatores e respetivos valores apurados.

 

ABSTRACT

Introduction

This study is part of the educational research and with the preliminary data of this research, it is intended to contribute to a better understanding of the self-concept and the motivation of students in the context of the classroom regarding the curricular area of physics and chemistry at the level of the 3rd cycle of schooling.

Perrenoud, Estrela and Estrela (1995) in their book Office of Student and Sense of Schoolwork, warn of the lack of meaning of school work. According to the authors, a fraction of the students makes virtue necessary and performs, without difficulty, their school course; others resist openly and unleash the fury of those who love him; others are still present in the portuguese reality, such as absenteeism, school drop-out and indiscipline / violence. We can state, in a consensual way, that eradicating these phenomena is utopian, but the clarification of their causes can contribute to a significant and desirable reduction according to the literature revisited. Shavelson, Hubner and Stanton (1976) attribute to self-concept a potential for behavioral prognosis, similarly referenced by authors such as Simões and Vaz Serra (1987) and Simões (1997) who recognize the influence of self-concept on performance as well as personal self-control , In the coordination of attitudes and behaviors, thus appearing as a way of quantifying variables such as self-control, anxiety and expectations of the subjects (Barros & Barros, 1999; Simões & Vaz Serra, 1987).

The awareness of relevance and interconnection of motivation with school success (Castañeiras, Guzmán, Posada, Ricchini, & Strucchi, 1999; Zenorini & Santos, 2010, Imaginário et al., 2014) with indiscipline and self-concept has led to countless (Fonseca, Galinha & Loureiro, 2017) with the objective of discovering how to involve students in school tasks voluntarily and aware of their potentialities and importance for their future.

Considering that personal perceptions lead to motivated and therefore objective behavior (Cabanach, Arias, Pérez & González-Pienda, 1996), it is relevant to study motivation and its interconnection with students' self-concept. 

Methodology

General objectives of research

1. Assess the values of self-concept of students surveyed by a scale of self-concept.

2. Assess the motivational values of students respondents through a range of motivation.

Sample

Convenience sampling. Anonymity. Confidentiality. N = 86 pupils of the 3rd cycle of education, aged between 12 and 16 years. With a distribution of gender of 48.8% 51.2% male and female.

Instruments

The data required for this study are collected through the analysis of the responses to self-description Questionnaire Scale SDQ1 (adaptation to the Portuguese population by Marsh: evaluation of the concept itself of the adolescent; Faria & Fontaine (1990) and Questionnaire of Schoolar Motivation (QME) (Cordeiro, 2010).

Locus of research and Procedures

Voluntary student membership. The application of instruments held collectively in 3rd cycle basic education school context with superior authorization. The questionnaires were applied by the investigator and a teacher of the class in the classroom of public education institutions in the North and centre of Portugal

Results

Preliminary studies in school context

The values of the mean values and standard deviation, respectively, obtained for the instrument SDQ1 subscales are: Mathematics Self-concept 24.34 and 8.949; Physical competence 28.41 and 6.427; School Global 25.5 and 6.352; Verbal self-concept 7.463 and 27.79; Physical appearance 6.638 and 28.53; Parents and social 31.41, 4.751; Social Pairs 29.60 and 4.904  and Global self-concept  33.55 and 5.414. Regarding objective 1, with the application of self-description Questionnaire Scale 1-SDQ1 (adaptation to the Portuguese population; the MARSH: evaluation of the concept itself of the adolescent (Faria & Fontaine, 1990), the data allow to observe proper dispersion of the same in accordance with the descriptive statistics

Regarding QME instrument the obtained values are: F1- Strategies 75.93 and 22.304; F2 – Extrinsic Goals of Professor 41.17 and 8.958; F3 – Extrinsic Goals of the student, with external regulation 9.145 and 33.23; F4 – Intrinsic Goals of Professor 32.49 and 8.601; F5-Extrinsic Goals of the student, with Internal regulation 23.84 and 7.089; F6-intrinsic Student Goals 17.74 and 5.018.

Regarding objective 2, with the implementation of School Motivation Questionnaire (QME) (Cordeiro, 2010), the results obtained in this research also allow to observe proper dispersion of the same:

Final considerations and conclusions

There is an adequate dispersion for SDQ1 and QME in the factors and their respective obtained values.

At this point the investigation takes place in the sense of getting the data in relation to goals 3, 4 and 5 set out in design, which in the future will be presented and discussed.


Palavras-chave


autoconceito, educação, física e química, motivação, education, motivation, physics and chemistry, self-concept.

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Referências


Barros, J. & Barros, A. (1999). Psicologia da educação escolar I (2ºed.). Coimbra: Livraria Almedina.

Cabanach, R. G., Arias, A. V., Pérez, J. S. N., & González-Pienda, J. A. (1996). Una aproximación teórica al concepto de metas académicas y su relación con la motivación escolar. Psicothema 8(1), 45-61.

Castañeiras, C., Guzmán, G., Posada, M.C., Ricchini, M., & Strucchi, E. (1999). Sobre Estrategias de Aprendizaje y Hábitos de Estudio. RIDEP – Revista Iberoamericana de Diagnóstico e Avaliação Psicológica, 8(2), 37-50.

Cordeiro, P. M. G. (2010). Construção e validação do questionário de motivação escolar para a população portuguesa: estudos exploratórios. Coimbra: Universidade de Coimbra.

Faria, L., & Fontaine, A. M. (1990). Avaliação do conceito de si próprio de adolescentes: Adaptação do SDQ I de Marsh à população portuguesa. Porto: FPCE.

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Imaginário, S., Jesus, S., Morais, F., Fernandes, C., Santos, R., Santos, J. & Azevedo, I. (2014). Motivação para a Aprendizagem Escolar: Adaptação de um Instrumento de Avaliação para o Contexto Português. Revista Lusófona de Educação, 27, 91-105.

Perrenoud, P., Estrela, A., & Estrela, M. T. (1995). Ofício de aluno e sentido do trabalho escolar. Porto: Porto Editora.

Shavelson, R. J., Hubner, J. J., & Stanton, G. C. (1976). Self-concept: Validation of construct interpretations. Review of Educational Research, 46, 407-441.

Simões, M., & Vaz Serra, A. (1987). A importância do autoconceito na aprendizagem escolar. Revista Portuguesa de pedagogia, 21, 233-252.

Simões, M.F. (1997). Autoconceito e desenvolvimento pessoal em contexto escolar. Revista Portuguesa de Pedagogia, 31 (1, 2, 3), 195-210.


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